terça-feira, 28 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

DOIS REIS MAGROS E UM ENFEZADINHO!

Desejo a todos um excelente e santo natal!
Haja comida na mesa sem ter que roer os ossos,
Saude para disfrutar de um bom vinho
E uma prenda no sapatinho.
Se não houver caroço que se virem todos os bolsos,
Pois há-de dar para encher a malvada,
Nesta bela consoada!

PS: Quem conseguir ler esta mensagem, tem um computador e portanto, faz parte dos 1% mais ricos da população mundial.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

EU TENHO UM PAÍS QUE...

O meu pai indicou-me um site fantástico chamada http://www.pordata.pt/ e que recomendo que vejam com alguma atenção. Após entrar e perder algum tempo a analisar a panóplia de informação que o mesmo fornece, comecei a adquirir uma visão mais global da problemática que vivemos hoje. Se juntarem a isso o tema do jantar que tive ontem, torna-se evidente a razão pela qual hoje escrevo esta entrada.
Assim, decidi dar-vos a minha versão do "Eu tenho um país que..." que julgo que todos conhecem mas que nunca vi aplicada nesta perspectiva, mas sim numa óptica mais virada para o sector privado. É que apesar de eu achar que os políticos que temos são reflexo do povo que somos, também vos confesso que estou farto de ver bater sempre nos mesmos, num tom de crítica fácil e gratuito, como se o nosso estado fosse uma cambada de chulos e ninguém andasse lá a fazer nada. Acontece meus senhores que o país somos nós, o grande somatório das partes. Permitam-me que vos diga que a rapaziada "zé povinho", também não se anda a portar propriamente bem. Ora vamos lá então!


Eu tenho um país onde o desemprego aumenta consecutivamente há dez anos, mas mais preocupante, onde o maior aumento se verifica na faixa etária dos 25 a 54 anos.

No entanto, se pensarmos que cerca de metade é desemprego geográfico ou de curto prazo, temos 2,5% da população no verdadeiro desemprego. Se considerarmos os moinantes que não querem trabalhar e os que se montam em trabalhinhos por fora, limitando-se a ser um encargo para o estado, iludindo a máquina fiscal mas usufruindo de todos os benefícios que a república lhes dá... o número começa a parecer bem menos preocupante.
Eu tenho um país onde há cada vez mais cidadãos dependentes do estado que tanto contestam, apesar, diga-se, de algum esforço feito nos últimos seis anos para tornar isso menos verdade.


E onde os ricos cada vez estão mais ricos e os pobres cada vez estão mais pobres. Deve ser uma questão de produtividade. Mas o que não vão fazer é tentar convencer-me que este aumento salarial se deve aos cargos políticos, até porque estamos a falar de quase metade dos camelos que compõem este país.


Eu tenho um país que nos últimos 50 anos tem aumentado brutalmente a sua capacidade de gerar riqueza.



Infelizmente, aumentando a sua dívida mais do que proporcionalmente. E para pagar o quê? Com certeza que não será só para pagar submarinos. Gostava de ter os dados do investimento público neste anos para verificar essa correlação. Infelizmente, não tenho.


Eu tenho um país que gasta seis vezes mais em saúde hoje do que há quarenta anos e que tem essa mesma saúde, no seu sentido mais lato do termo, à disposição de todos, sem excepção.

Eu tenho um país que tem cada vez mais médicos, enfermeiros, dentistas e farmacêuticos ao serviço da sua população.

Eu tenho um país onde só temos 300 casos de SIDA diagnosticados.

Eu tenho um país que em 50 anos, reduziu os casos de tuberculose em 85%.

Eu tenho um país onde todos os anos, a esperança de vida do seu povo aumenta!

Eu tenho um país que gasta cada vez mais dinheiro na educação das suas crianças.

Eu tenho um país onde a educação chega a quase todos e a cada vez mais gente...

E onde cada vez mais alunos querem continuar a aprender...

Eu tenho um país onde as pessoas ganham cada vez mais. No entanto e proporcionalmente, eu tenho um país onde as pessoas poupam cada vez menos.

Eu tenho um país onde cada vez mais pessoas têm computador, máquina de lavar louça, aspirador ou.... televisão por cabo.

Eu tenho um país que fornece água potável a 95% da sua população e que fornece sistema de esgotos e tratamento da mesma em mais de 80% do seu território.

Eu tenho um país que gasta cada vez mais em Investigação e Desenvolvimento...

E onde cada vez mais pessoas têm acesso à informação e ao conhecimento.
Eu tenho um país que chega a ter 330 dias por ano... sem chuva!No entanto, também tenho um país que se diz católico, com cada vez menos casamentos católicos.

No entanto, também tenho um país com cada vez menos lares e com cada vez mais divórcios.

No entanto, também tenho um país onde as pessoas gastam três vezes mais em bebidas alcoólicas, tabaco e narcóticos... do que em educação. No entanto, eu também tenho um país onde as pessoas gastam mais em vestuário e calçado... do que em saúde!

Por último, eu também tenho um país de críticos e de insatisfeitos, de gente que se diz séria e competente, de gente aparentemente dedicada e vertical. No entanto, tenho um país que tem cada vez mais arguidos em processos-crime e um país com cada vez mais condenados.


A pergunta que vos faço é só esta:
Será que os verdadeiros problemas deste país estão na sua governação, ou será essa a consequência do nosso verdadeiro problema?
Acho que já está na hora de nos deixarmos de choradeiras e começarmos a agir em prol da nossa nação. Temos rapidamente que largar a filosofia do "salve-se quem puder", para começarmos a construir a arca! Apesar do que se pensa, as ferramentas estão todas disponíveis. Haja quem tenha vontade...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Incompreensível...



















Notícia da Lusa:

Euro/Crise: Moody's junta-se a Standard & Poor's e colocou sob vigilância bancos portugueses
10 de Dezembro de 2010, 12:15




Lisboa, 10 dez (Lusa) - A agência de notação financeira Moody's anunciou hoje a decisão de colocar sob vigilância os bancos portugueses, seguindo a mesma posição da Standard & Poor's, divulgou a EFE.
Em comunicado, a Moody's refere que está a estudar baixar a notação de cerca de uma dezena de entidades portuguesas devido à "sua grande dependência do Banco Central Europeu, enquanto o mercado internacional permanece fechado" aos bancos portugueses.
A agência explica que entre os motivos para colocar sob vigilância as principais instituições financeiras está a adoção de "medidas de austeridade por parte do Governo e o seu impacto na qualidade dos ativos bancários".



Palavras para quê...
Ps: A foto é minha... achei que poderia fazer sentido.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

VENTOS DE MUDANÇA



Regressado do meu périplo africano que durou sensivelmente três semanas, regresso com bastantes novidades. As pessoais são que nunca tinha estado em África. Gostei bastante apesar de não ter dado tempo para ver quase nada. No entanto, deu para ter uma pequena ideia do que é aquele estrondoso continente.




Profissionalmente, adorei a experiência de conhecer Cabo Verde, Moçambique e Angola, as nossas empresas, os nossos sócios e colaboradores. Deixei a promessa de regressar em breve, não só porque a função que exerço assim o obriga, mas também por ser um enorme prazer poder fazê-lo.




Regresso a Portugal para me instalar na nova sede da empresa na Almirante Reis e confesso que o faço com enorme satisfação. Acredito que os espaços trazem a carga de quem por lá passou. Confesso que este me dá um ânimo renovado.




Como dizem os meus amigos Ingleses, "Ride the winds of change!".


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

FLEXIBILIZAÇÃO LABORAL


Mantendo a pretensão de resolver o problema do nosso país, convido-vos a ler esta notícia. O FMI não podia ter mais razão...


Contrariamente ao que nos querem fazer crer, dar à entidade empregadora autonomia para despedir um funcionário sem ter que alegar justa causa, não fará subir o desemprego. Fará sim com que os melhores empregados tenha trabalho e que os piores deixem de o ter. Acresce que todos os direitos actuais dos trabalhadores, no que concerne o seu despedimento são mantidos.


Tudo isto se traduz naturalmente numa palavra... produtividade!!!

http://economico.sapo.pt/noticias/fmi-pede-mais-flexibilizacao-laboral-em-portugal_102108.html

ADENDA


Como nota de rodapé do post anterior, gostava de acrescentar o seguinte. Apesar de ter noção que muitas medidas pequenas podem dar lugar a poupanças grandes, parece-me importante que consigamos todos enquadrar as medidas anunciadas pelos partidos em relação a este orçamento.

O PIB português é de aproximadamente €160.000.000.000,00. Se a nossa dívida pública representar no fim do ano 86% do PIB como se estima, a mesma representa €137.600.000.000,00. Se estimarmos que a taxa de juro média sobre essa dívida poderá rondar os 5%, estamos a falar de €6.880.000.000,00/ano em juros.

Portanto, para que a coisa não se agrave, e já partindo do princípio que não haverá alterações na taxa de juro aplicada, este é o valor de EBIT que o nossa empresa/estado tem que ter anualmente.


Se houvesse uma intervenção europeia através do fundo de resgate, que permitisse baixar essa taxa de juro em 1,5%, deixávamos de pagar €2.064.000.000,00/ano, mais de 3 vezes o valor da poupança das medidadas anunciadas pelo CDS...


Bottom line, ou resolvemos o problema do juro ou nada feito.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O ESTADO COMO EMPRESA


Confesso que já estou há algum tempo para escrever esta entrada no blogue. Pelas mais diversas razões ainda não o tinha feito. Acho que parte de mim estava à espera que houvesse algum bom senso proveniente de alguma parte... n sei bem qual. Enfim... aqui vai a minha visão desta problemática.


Apesar de eu ter aprendido no meu primeiro ano de economia, ainda no liceu que, o propósito do estado, contrariamente ao sector privado, não é a maximização do lucro mas sim a maximização do ganho social, devo reconhecer que estranho a posição em que nos encontramos hoje e que aponta para uma gestão estatal, como se de uma qualquer sociedade anónima se tratasse. Independentemente disso, até porque já voltarei a este assunto em concreto, vamos prosseguir como se essa premissa fosse aceitável e seguir o nosso raciocínio.


Se o estado fosse uma empresa, estamos todos de acordo que não deveria ser difícil resolver o problema. A primeira pergunta a fazer seria se o negócio é bom? Ora, no caso de um país parece-me evidente que a resposta é sim e portanto é capaz de valer a pena recuperar isto... Assim sendo, vamos à análise dos proveitos e dos custos. Se me permitem vamos começar pelos custos.


Primeira pergunta, qual a sua estrutura e o que é essencial e o que é supérfluo?


A principal fatia dos custos correntes do estado prende-se com a factura energética. Nesse domínio e como sabemos tem vindo a ser tomadas medidas fundamentais na área das energias renováveis, sendo hoje Portugal um referência mundial nesta matéria. Pela primeira vez, há cerca de 5 meses, Portugal produziu mais energia que necessário para satisfazer a sua procura interna e ainda exportou para Espanha. Pelo menos no bom caminho estamos...

Em seguida, a segunda maior fatia prende-se com a segurança social e as suas mais diversas rubricas. Todos queremos que o estado entre em contenção de custos mas ninguém está disposto a abdicar destes benefícios. Vou mais longe, todos reivindicamos o nosso direito aos mesmos. Falo-vos de indicadores como o abono de família, subsídio por doença, subsídio de desemprego, subsídio social de desemprego, pensão social de velhice, pensão de sobrevivência, rendimento social de inserção, etc... Curiosamente, a despesa do estado com estes benefícios aumentou em todos eles. No entanto, acho que estamos todos de acordo que nestes não convém mexer, até porque afecta 4.100.000 pessoas. Ou estou enganado e devemos mexer? Pergunta: será que o problema está aqui ou na função pública como muitos apregoam? Vejamos...

Como terceira maior rúbrica temos a função pública. Parece ser do conhecimento geral que existem demasiados empregados do estado em Portugal e que portanto torna-se fundamental cortar nesta máquina estatal, demitindo em bloco todas as pessoas que não são estritamente necessárias ao seu bom funcionamento. Confesso que eu fazia parte do grupo que partilhava desta ideia. Naturalmente que, uma medida desta natureza tinha que ser feita progressivamente para evitar que se causasse um problema social mais grave do que é vivido actualmente. Ou seja, também não era num exercício, nem talvez em três que, se resolvia este problema. Ia-se resolvendo... No entanto, saiu uma estatística da Eurostat, no diário económico de ontem que dizia que Portugal tem 17,2% da sua população activa empregue pelo estado e que portanto, era o terceiro país da Europa com menos empregados estatais. Curioso....

Isso a mim diz-me duas coisas. Primeiro, não existem demasiados funcionários mas sim demasiadas regalias e uma estrutura pesada. Segundo, o problema pode ser resolvido muito mais depressa do que se poderia pensar inicialmente e sem causar nenhum problema social grave. Meus senhores governantes, vamos ao trabalho...


Arrumada a questão dos custos, vamos então aos proveitos.


Primeiro, é importante que não se confunda os proveitos do estado com o PIB do país. Já iremos ao segundo e à sua utilidade. Os proveitos do estado são os impostos, nas suas mais diversas formas e feitios. Portanto, os impostos cobrados têm de fazer face à totalidade dos custos existentes. Quanto maior a estrutura de custos, maior o nível de proveitos necessários para cobrir os mesmos. Portanto, reduzindo os custos, podemos reduzir os proveitos e consequentemente, podemos reduzir os impostos. Até agora tudo bem...


Portanto, se pegássemos nos nossos proveitos e retirássemos os nossos custos, chegaríamos ao que podemos chamar de EBITDA do nosso país. Se for maior do que zero está tudo impecável e seguimos felizes e contentes. Se for menor que zero, corta mais nos custos ou aumenta os impostos. Parece simples...


No entanto, ainda não chegámos à questão central e ao verdadeiro problema que estamos a atravessar. Esse problema chama-se dívida e o serviço da mesma. Enquanto que a dívida por si não entra para as contas do défice, os juros da mesma entra e é uma das rubricas de custo mais importantes do estado.


Portanto, vamos imaginar que se juntava o melhor de todos os mundos. Vamos imaginar que se reuniam as melhores propostas de todos os partidos e que conseguíamos reduzir os nossos custos para o valor mínimo possível. Ao mesmo tempo, íamos tomando as medidas necessárias ao crescimento da nossa economia. Com certeza, chegaríamos ao fim do ano com um EBITDA chorudo e portanto, estaríamos todos felizes. Com esse EBITDA, pagamos os juros da dívida e eis que chegamos ao nosso Resultado Líquido. Quanto maior o Resultado Líquido, mais ajudas podemos dar à economia e portanto mais crescemos. Quanto mais crescemos, mais impostos entram para os cofres do estado e portanto, menor se torna a carga fiscal necessária.


Portanto, desse EBITDA, o estado tem que conseguir pagar os juros da dívida que tem, como qualquer empresa ou qualquer orçamento familiar. Quanto mais elevado for o juro, maior tem que ser o EBITDA para o cobrir. E se os juros a pagar forem mais elevados que o nosso EBITDA. Das duas uma, ou arranjamos forma de o aumentar, ou vamos pedir mais dinheiro emprestado.


Toda a nossa problemática actual reside na dívida e no serviço da mesma. É aqui que entra o bicho chamado PIB. Como todos sabemos o Produto Interno Bruto de qualquer país mede-se pelo somatório do consumo (estatal e privado) + investimento (estatal e privado) + gastos do estado + exportações - importações. Este valor não é mais que um elemento de medida da capacidade de cada país em gerar riqueza. Quanto mais riqueza gerarmos, mais proveitos (impostos) entram para os cofres do estado. Convém portanto que o PIB cresça. É nesse contexto que se costuma comparar a dimensão da dívida de um país com o seu PIB.

Primeiro, será razoável não termos dívida? Segundo, se o PIB cresce isso não melhora a nossa situação e vice-versa?

Voltando a comparar o país com uma empresa, claro que é razoável termos dívida, desde que não seja em excesso, o que parece ser o caso. Aliás, se a meta que vigora actualmente é de 3% de défice, temos que presumir que nenhum país europeu tem dívida em excesso. Se isso não fosse verdade, a meta teria que ser necessariamente inferior a zero para que todos os anos o valor dessa mesma dívida fosse gradualmente reduzido.
Para responder à segunda pergunta, vejo-me obrigado a voltar aos meus tempos de faculdade. Regra base: todas as medidas económicas têm de ser contra cíclicas, senão só estamos a aumentar a volatilidade económica em vez de a atenuar.


Portanto, qual a situação em que se encontra o actual governo? Primeiro, com a estrutura de proveitos que tem, não consegue fazer face à totalidade dos custos. Por um lado porque os custo correntes não se reduzem assim tão facilmente e as medidas estruturais não se fazem de um dia para o outro e por outro porque o custo da dívida não pára de subir. Solução, como pedir emprestado está caríssimo, temos que aumentar os nossos proveitos, ou seja, mais impostos. Se isso não chegar temos mesmo que ir pedir mais dinheiro... enquanto houver quem o empreste e é exactamente aqui que se cria o paradigma mais interessante desta história.


De repente, os países, que são soberanos e que, se fossem empresas diríamos que têm um Equity Value altíssimo, estão sujeitos à bondade dos capitais privados e dos seus especuladores. Pergunta: onde anda a Europa em todo este processo? Será que nada pode ser feito para evitar isto? O Banco Central Europeu não pode ajudar? E agora sim, chegamos ao verdadeiro problema! O problema da Europa!


Actualmente, todas as medidas que estão a ser tomadas são contraccionistas, o que a meu ver configura um erro gravíssimo de gestão. No entanto, não vale a pena pensarmos que é um erro do governo ou do Sócrates. O erro vem da UE. Estas medidas estão a ser-nos impostas e não o contrário.


Com estas medidas, o consumo vai cair, bem como o investimento, os gastos do estado, as exportações e as importações. Resultado, o PIB vai cair e consequentemente a nossa dívida em percentagem do PIB vai subir. A máquina abranda e portanto terá inevitavelmente de demorar mais tempo a chegar ao seu destino. Consequência... menos PIB, menos impostos em valor, mais impostos em %, menos PIB... e de repente já não saímos desta tão cedo.


Será que isto é mesmo necessário?


Eu diria que não. Existe um fundo de resgate europeu aprovado de 750 biliões de euros. Se esse fundo fosse accionado, o país deixava de estar sujeito aos mercados, deixando de pagar uma taxa de juro da ordem dos 6% para se financiar e passaria a fazê-lo junto desse fundo a um custo infinitamente mais reduzido. Assim, aliviava-se o custo da dívida e portanto, reduzia-se a urgência destas medidas. Depois, revia-se a meta dos 3% e do prazo de três anos para a atingir, deixando que os países tomassem as medidas expansionistas necessárias à rápida saída desta conjuntura recessiva. Passávamos a ter que atingir a meta dos 3% a cinco ou mais anos, financiávamos a dívida a um custo muito inferior e portanto, não precisávamos de estrangular a economia e os seus cidadãos desta maneira.


No entanto, todos sabemos porque é que isto não é feito. A Alemanha, que já apresenta um ritmo de crescimento razoável, não quer por em causa a sua taxa de juro, nem ter que lidar com problemas inflacionistas a curto prazo e portanto, trava a injecção de mais capital no mercado, até ver. Paralelamente e de uma forma muito pouco sustentável, é o Banco Central que está a emprestar aos bancos europeus a 1% e são estes que por sua vez estão a emprestar ao estado a 6% e a forrar os bolsos de dinheiro.


Pergunta final: Será que esta Europa tem futuro? Parece-me que algo vai ter que mudar...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

FÉRIAS NA CROÁCIA

Deixo aqui, a reportagem fotográfica de uma viagem simplesmente revigorante! Que maravilha de país! Espero receber outras fotos em breve...













terça-feira, 14 de setembro de 2010

Programa do Jô - Histórias do Claudinho o político gago

Convido-vos a rirem-se um bocado com esta entrevista. Só os brasileiros de facto! Falta aos nossos políticos algum sentido de humor e capacidade de auto-crítica. O que seria se esta entrevista tivesse sido dada em Portugal? Pela parte que me toca, consigo confiar muito mais numa pessoa assim! Fiquei a gostar do homem. Se calhar dizia-lhe para mudar de camisa. No entanto e por outro lado, fica a condizer com a magnífica gravata do Jô!!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Anuncio Folha de São Paulo legendado PT-BR

Como é que sabemos o que é verdade? Até que ponto é que as nossas opiniões não são mais do que o produto da informação que nos é fornecida? Em quem e no que é que devemos confiar? Para mim é preocupante. Este belo anúncio dá que pensar...

Ps: Gosto de ler a Folha!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

DO QUE PRECISAMOS PARA SER FELIZES?


Reproduzo aqui um texto que recebi de uma amiga que vai para o Senegal. Para a Mafalda, que escreveu este texto vão os meus parabéns. Revejo-me em absoluto nas suas palavras. Infelizmente o bottom line da coisa é que andamos todos a tentar sobreviver, cada um à sua maneira e no seu contexto. No entanto, acho que nós, "povos alegadamente desenvolvidos", no nosso íntimo, sentimos que algo não está certo, não encaixa ou simplesmente é estranho e pouco inato à nossa condição humana. Dá que pensar...



"Porque há dias em que a saudade bate mais forte, em que as lembranças vêm à memória com mais intensidade, em que desejávamos acordar lá... hoje lembrei-me e pensei... No interior do Senegal, numa das zonas rurais mais pobres e carenciadas, encontrei o que nunca esperei. Tinha-me preparado mental e emocionalmente para encontrar a maior miséria, aquela que quase sempre nos chega através da comunicação social. Estava à espera de encontrar aquela imagem típica quando se fala de África, que é uma criança subnutrida, triste, infeliz, só. Não estava preparada para encontrar o que encontrei, talvez por isso me seja tão difícil desligar e não voltar lá muitas vezes, nem que seja apenas em pensamento. Encontrei pobreza, miséria, subnutrição, sim. Encontrei falta de água, de comida, de condições de habitação, sanitárias, de educação, de saúde. Mas encontrei, acima de tudo, um sorriso, um grito de alegria, uma vontade de dançar ao som do batuque durante horas a fio. Encontrei a capacidade de partilha, o espírito de família e de comunidade. Encontrei um amor e um respeito admirável às crianças e aos idosos. Encontrei educação. Encontrei tempo para deixar a vida do dia-a-dia e simplesmente estar junto dos outros. Tudo isto foi como um murro no estômago para mim. Eu, que pensava um dia poder ir ensinar alguma coisa àquele povo, fui completamente derrubada pela lição de vida que me deram. Eu, que pensava ir dar alguma coisa, abri as mãos, tão vazias, e humildemente recebi tudo o que me ofereciam, mesmo que não soubessem que o estavam a fazer. Quis ter o poder de conservar para sempre a memória do que vi e senti. Por isso revejo tantas vezes as fotografias e escrevo. Para me lembrar sempre. Das pessoas, do que me deram e ensinaram, das cores, dos cheiros, dos sons, das gargalhadas e dos gritos das crianças, das palavras, do sabor do pó na boca e na garganta, do corpo transpirado e sujo, da sensação de profunda felicidade no meio do nada, do tempo que não se conta nem se sente passar... Penso muitas vezes em como, no fundo, somos tão infelizes. Procuramos encher a nossa vida com todas as inovações tecnológicas de ponta, os melhores carros, casas cheias de coisas de que na verdade não precisamos, bons restaurantes, roupa de marca, entre tantas outras coisas que podia enumerar!... Tentamos preencher todo o tempo com inúmeras actividades, encher todas as conversas ou encontros com alguém com milhares de palavras sem sentido. Ou então isolamo-nos num mundo só nosso e esquecemos que à nossa volta estão pessoas que nos amam e precisam de nós. Para quê? Será que é assim que encontramos a felicidade? Se olharmos à nossa volta, quantas pessoas estão deprimidas ou infelizes?... E quantas estão verdadeiramente felizes?... Não haverá qualquer coisa que nos está a escapar? Não estaremos a desperdiçar a nossa vida em tudo aquilo que não vale a pena nem nos preenche na verdade?... Em África encontrei uma alegria de viver que aqui não encontro. No meio da miséria. Longe de televisões, de telemóveis de última geração, de carros topo de gama, de playstations... As crianças brincam na rua, inventam as suas brincadeiras, deliciam-se e derretem-se com a mais simples das coisas, e, apesar de tudo o que as rodeia e de a maior parte apenas ter uma "refeição" por dia, são felizes.... Não têm material escolar, mas têm um orgulho imenso de andar na escola... Não têm calçado, mas correm e pulam desenfreadamente... Porque e para onde corremos tão apressados e tão convencidos da nossa superioridade, afinal?... "
Autoria de Mafalda Branco

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

FALÊNCIA MUNDIAL



A Morgan Stanley veio dizer hoje que o incumprimentos da Europa é inevitável e que estamos só a falar de uma questão de quando e não de se. Esta notícia para mim é surpreendente. A primeira pergunta que faço é esta. Se a Europa não consegue honrar os seus compromissos, então, qual é o continente que o conseguirá fazer?


Não digo que a MS não tenha razão nas suas afirmações. No entanto, não vejo que este tema seja de relevar, a não ser que a intenção desta notícia seja continuar a por em causa o modelo europeu, e com isso, perpetuar a crise de confiança existente, sabe-se lá a benefício de quem. Ou melhor, desconfia-se... Vale a pena lembrar que esta crise não começou aqui. E se mexessem no rating dos Estados Unidos da America, este conseguia pagar as suas dívidas?


Na verdade a pergunta de base é esta. A dívida dos países é para pagar? Pelo menos os juros são, responderão alguns. Mas então se for assim, digo eu, contrai-se mais dívida para pagar os juros, qual é o problema? A meta dos -3% para o défice resolve o nosso problema? Parece-me a mim que só o agrava mais devagar. Se o problema fosse para resolver não era de pedir que a meta fosse de pelo menos +0,1%? Quem compra a dívida pública e o que ganha com isso? Interessa que a mesma acabe?
A minha teoria baseia-se na seguinte premissa. Se um dos países em causa falir, a Europa como a conhecemos irá falir. Se a Europa falir, a Alemanha por associação irá falir. Se a Alemanha falir, será com certeza uma questão de tempo até os EUA falirem. E se os EUA falirem... o resto do mundo falir irá. E se o mundo vai falir, então arrisco-me a dizer que não há problema nenhum e que estamos todos impecáveis.


Enfim, as perguntas e desconfianças são imensas. O que eu sei é isto. Estão demasiados interesses envolvidos para que haja alguma consequência irremediável no mundo. E como todos percebemos é preciso mudarmos muita coisa para que fique tudo na mesma. A mim parece-me que todos já perceberam que o modelo actual não funciona. No entanto, parece-me tarde demais para mudá-lo. Portanto, a única solução que vejo passa por, quando houver aperto, imprime caroço. Um dia há-de haver quem resolva o resto.


Uma última nota para o filme que vai estrear, "Inside Job". O primeiro sobre esta nossa crise e o que a originou. É um documentário com vários depoimentos de gente relevante, narrado pelo Matt Damon e que deve ser bem interessante.